- Ei-lo, quieto, a cismar, como em grave sigilo,
vendo tudo através a cor amarela dos olhos,
onça que não cresceu, hoje é um gato tranquilo.
A sua vida é um manso lago, sem escolhos...
Não ama a lua, nem telhado a velho estilo.
De uma rica almofada entre os suaves folhos,
prefere ronronar, em gracioso cochilo,
vendo tudo através a cor amarela dos olhos.
Poderia ser mau, fosforescente espanto,
pequenino terror dos pássaros; no entanto,
se fez um professor de silêncio e virtude.
Gato que sonha assim, se algum dia o entenderdes,
vereis quanto é feliz uma alma que se ilude,
e olha a vida através a cor de uns olhos amarelos.
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